Os animais choram?

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Alguns animais, incluindo os elefantes, podem chorar de tristeza.

 Especialistas em comportamento animal afirmam que animais podem também chorar de tristeza, como os bebês humanos.

Muita gente deve ter se perguntado se era verdadeira a notícia sobre um elefante recém-nascido da Reserva Natural Shendiaoshan, no leste da China. O filhote teria chorado inconsolavelmente por cinco horas depois de ser pisoteado pela mãe, que depois o rejeitou. Desde então, o elefantinho, batizado como Zhuang-Zhuang, foi “adotado” por um tratador e está bem, segundo o site de notícias Metro.

“Alguns mamíferos podem chorar pela perda do contato físico”, explica Marc Bekoff, especialista em comportamento animal, ao Discovery.

A risada de um macaco é semelhante à de um ser humano, segundo uma nova pesquisa que explora a evolução do riso. “Pode ser uma reação intensa à ausência de contato”, acrescenta Bekoff , ex-professor de ecologia e biologia evolutiva da Universidade do Colorado, que co-fundou com a primatologista Jane Goodall a organização Etólogos para o Tratamento Ético dos Animais.

“É mais provável que filhotes de elefante e bebês humanos chorem por desconforto, e não de tristeza”, continua Bekoff , cujo livro “Por que cães se entediam e abelhas se deprimem”, será lançado nos Estados Unidos em novembro.

Ele ressalta que estudos científicos comprovaram que galinhas, ratos e camundongos demonstram empatia, o que é um fenômeno ainda mais complexo.

Para chorar, o animal teria que ser de natureza social, com uma anatomia ocular semelhante à nossa e uma estrutura cerebral capaz de processar emoções. Os cães estão entre os animais mais sociais, mas cientistas e donos nunca viram um cão deprimido chorar.

cachorro que chora

“É evidente que os cães e outros animais podem sofrer e reconhecer o sofrimento em outros”, argumenta Brian Hare, professor de antropologia evolucionária da Universidade de Duke , que co-fundou a ferramenta de análise canina “Dognition”.

Em um questionário no site Dognition, 72% dos proprietários informaram que seus cães sofriam de ansiedade de separação moderada a extrema, provavelmente a mesma reação apresentada pelo filhote de elefante.

“Essa ansiedade se manifesta como ganidos, gemidos e uivos”, explica Hare. “Os cães podem não chorar vertendo lágrimas, mas sem dúvida se lamentam com vocalizações que expressam ansiedade, estresse ou solidão”.

Mais da metade dos donos também relatou que seus cães tentam confortá-los ou consolá-los quando estão abatidos ou chorando e, portanto, parecem entender quando uma pessoa está triste.

Nessas ocasiões, o cachorro pode esfregar o focinho ou colocar a cabeça no colo do dono. Em ambos os casos, o cão tenta confortar o dono por meio do contato físico – o mesmo tipo de contato desejado por um bebê humano ou um filhote de elefante. O abraço humano pode ser semelhante ao afago de um cão com o focinho ou de uma mãe elefante que usa a tromba para acariciar seu filhote.

A escritora e naturalista Virginia Morell concorda que o choro dos elefantinhos pode ser idêntico ao dos bebês, mas esse fato ainda não foi cientificamente comprovado.

“Seriam lágrimas de tristeza?”, pergunta-se Morell , que também é autora do novo livro “Sabedoria Animal: Os Pensamentos e Emoções de Nossos Bichos de Estimação” (inédito no Brasil). “Eles precisam de um contato amoroso, como todos os filhotes de mamíferos. Seus tratadores tentaram dar isso a ele e finalmente conseguiram”.

Morell comentou que histórias como a do elefantinho chinês inspiram os pesquisadores e podem levar a novas descobertas sobre as emoções dos animais.

“Há não muito tempo atrás, muitos pensavam que éramos os únicos animais capazes de rir, mas agora sabemos que ratos, cães e chimpanzés também o fazem”, comenta a pesquisadora”. “De fato, o riso parece ser uma emoção universal em todos os mamíferos. Se isso é verdade, por que a tristeza não seria”?

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Fonte : Animal Planet

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